A Implantação do Estado Policial no Rio de Janeiro II

Quais as verdadeiras razões da Ocupação das Favelas ?

Parte 2 – Situação Atual

Rorschachbr
PlanetaPrisão
Quarta 13 de Janeiro

Como já explicado na 1ª parte é necessário assistir ao vídeo do RJTV para entender o artigo.

http://rjtv.globo.com/Jornalismo/RJTV/0,,MUL1420256-9097,00.html

No depoimento do “ produtor cultural ” (confesso que não sei o que é isso) MC Fiel, é relatado que com a chegada da UPP “ o que mudou foi o tiroteio, que não existe mais.É isso que todas comunidade quer. “ Bem Fiel, não só toda comu…(epa), favela quer viver sem tiroteios, mas todos os cariocas também. Até aí nenhuma novidade. Continuando: “ Essa unidade pacificadora ainda tem que ser melhorada no meu ponto de vista, porque os jovens ainda continuam sofrendo alguns tipos de truculências, e a gente não quer conflitos, a gente quer dialogar para poder ter um cotidiano melhor, uma vida melhor. “ Bem, eu também não iria querer conflitos com a PM, mas o que será que ele quis dizer com “ truculências “? Porque não forneceu detalhes mais específicos ? Apenas os jovens que estão “sofrendo “?

Voltemos a nossa sorridente repórter (que não mora na favela) que anuncia estar com uma representante da “ nova polícia “( a antiga polícia foi extinta? ), a capitã Priscila que é a comandante da UPP do Dona Marta.” A gente viu ali que os moradores ainda reclamam um pouco dessa convivência com a polícia, às vezes de alguma truculência.Vocês notaram como ela usou as palavras para suavizar a existência das queixas ? “ O que você já sentiu de mudança, de avanço na relação com a comunidade, e o que que pode melhorar ? ”. Agora são palavras positivas: mudança, avanço, melhorar.A capitã começa o discurso: “ Sem dúvida desde o início até hoje, muita coisa já mudou “, humm…, acho que eu já ouvi isso…, “ principalmente no trato do morador com a polícia, no início era uma dificuldade muito grande ,e eu entendo como normal, que o morador não queria ser abordado, isso para eles é algo truculento “.Bem, vamos voltar ao mundo real. Só quem reside ou já residiu em favelas pode saber o quanto pode ser traumatizante a experiência de ser abordado pela polícia. Isso depende de vários fatores, como por exemplo: horário, quantidade de testemunhas, a própria reação do abordado, e talvez o pior de todos, o estado emocional do policial. Dificilmente ouve-se um bom dia, por favor, com licença, a regra padrão é simplesmente aterrorizar. É comum ouvir do policial, mesmo que não tenha nada errado, coisas do tipo: isso não é hora para ficar na rua, bandido também tem documento, etc.. Isso é a pura realidade!

A capitã explica que “ isso faz parte do trabalho policial “ e que “ é dessa forma que se conhece o morador, isso hoje eles recebem de uma forma bem melhor “. Traduzindo: não tem jeito, vai ser sempre desta forma, tem que se acostumar ! Ou vocês preferem do jeito que era antes ? Além do mais, vai reclamar pra quem ? Então, de repente, a nossa repórter sorridente faz uma pergunta que não parece estar no roteiro: ” Mas, hoje, há menos abordagens, já se compara mais ou menos, ao policiamento de um bairro qualquer ? “ Uau! Enfim uma pergunta difícil para a nossa capitã responder ! “Menos abordagens porque a gente já passou a conhecer mais os moradores ( após um ano! ), mas sempre vai ter. “ Peraí, ela não respondeu a pergunta ! Pelo menos não de forma direta. Vamos interpretar: quando ela nos disse que sempre vai haver abordagens, isto quer dizer o seguinte: NÃO, NA FAVELA O POLICIAMENTO SEMPRE VAI SER DIFERENTE ! Ou alguém imagina a polícia abordando pessoas nas ruas do bairro de Botafogo e pedindo documentos, revistando as bolsas, perguntando onde moram, etc…? Vou ser ainda mais incisivo: O MORADOR DA FAVELA VAI CONTINUAR SENDO TRATADO COMO SUSPEITO !

Em seguida são mostradas algumas estatísticas da criminalidade no bairro de Botafogo demonstrando pouca diferença entre antes e depois da UPP. Para não dizer que fui injusto vou falar de algo de bom que não foi mostrado: praticamente desapareceram os pedintes que ficavam nas ruas aterrorizando a população. Eles ficavam quase sempre nas portas dos bancos, fazendo cara de coitadinhos, intimidando as pessoas, principalmente idosos, a darem algum dinheiro. E por que sumiram ? Na verdade, migraram para outros bairros que tenham favelas vendendo crack. Trataremos desse assunto na continuação da série.

 

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