“ Eu Vi A Luz No Final Do Túnel… ”

Um artigo em uma revista de tecnologia demonstra o avanço do sistema rumo ao controle total de nossas vidas, e acredite, há quem ache isso ótimo!

http://issuu.com/crn_brasil/docs/crn_308   Pág 52 (Pdf)

Rorschachbr
PlanetaPrisão
Quinta 8 de Julho

Sou da época em que a gente pagava muitos impostos e o governo só atrapalhava nossa vida. Bom, não quero dizer que estamos pagando menos impostos ou o que governo seja de grande ajuda. Mas eu vi a luz no final do túnel. “ Resumindo: no Brasil, o governo cobra cada vez mais e faz cada vez menos. Nenhuma novidade. Mas o autor mantem o otimismo. Bem, há quem acredite em Papai Noel…

Em seguida o autor lembra que a declaração de IR era feita em papel e hoje pode ser pela internet, que “ o governo está evoluindo e fazendo as empresas enviarem suas declarações contábeis, fiscais e tributárias pela web “, o que ele para ele “ vai ser uma grande revolução e o governo vai passar a cruzar absolutamente todas as informações.” Resumindo : quando se trata de cobrar impostos a tecnologia do Brasil é cada vez mais rápida e precisa. Coisa de primeiro mundo.

… Discutia sobre a nota fiscal eletrônica. Diziam que era uma grande invasão de privacidade e que o projeto não teria o apoio popular. Eu levei um susto. Parecia que eu estava em outro mundo. Abri meu notebook, entrei no website da Secretaria da Fazenda do Estado de SP e mostrei, para cerca de 200 executivos, todos os meus gastos dos últimos 12 meses – com o boleto de compra especificando a mercadoria que eu havia comprado. ” De fato o autor parece ser de outro mundo, pois suas próprias palavras confirmam que o projeto é uma grande invasão de privacidade, afinal ter registros de gastos pessoais detalhados acessíveis através de um site na internet é mais do que inseguro, é insano! Não venham me dizer que existem vários mecanismos que impedem o acesso aos dados, se está na rede nunca será 100% seguro. Bem, há quem acredite em coelhinho da Páscoa…

Lembro sim da população exigir a nota fiscal para ganhar os créditos. Viramos os melhores fiscais que o governo poderia ter! E de bom grado! ” Você não fala por mim, “companheiro”. O autor descreve então o seu encantamento com a rapidez de hoje em dia para renovar o passaporte, com o sistema totalmente computadorizado e no ano que vem biométrico de votação, com o tenebroso projeto RIC, onde “ teremos um nº único para todos os brasileiros associados às impressões digitais eletrônicas do cidadão ”.

Acho que os moradores do Complexo do Alemão no Rio e de Paraisópolis em São Paulo dentre tantos outros lugares maravilhosos de se viver também devem estar muito felizes com estas conquistas do povo brasileiro.

Agora vem a pior parte. O autor conta que esteve em Brasília em evento com figurões de todas as quadri…, ops quero dizer partidos políticos, e sendo apresentado a um deles foi logo puxando o saco: “ falei o quanto estava bem impressionado com o uso dado pelo governo à tecnologia ”, ele esqueceu mas eu vou completar: à tecnologia para arrecadar mais dinheiro dos contribuintes. “ Nós percebemos que a tecnologia poderia nos ajudar a reduzir a sonegação e estamos ficando muito bons nisso ”, respondeu o político, o qual o autor omitiu a identidade. “…Isso quer dizer que, reduzindo a sonegação, vocês reduzirão, também a carga tributária? Ele deu um sorriso maroto e disse: Isso eu não sei responder, mas sei que estamos muito empenhados em usar esse dinheiro arrecadado para melhorar a qualidade dos nossos serviços para os brasileiros. Sinceramente, nunca pensei que fosse ouvir uma frase dessas de um político brasileiro. ” É sério? O autor nunca deve ter assistido nenhuma propaganda política. Eles sempre estão empenhados em melhorar a saúde, educação, transporte, segurança…

O mais chocante desse diálogo é que em nenhum momento a rapos…, digo o político mencionou que haverá redução de impostos. Repare bem nas palavras: “ melhorar nossos serviços…”, o que ele de fato quer dizer é: oferecer vantagens para que a população fique cada vez mais dependente do governo destruindo qualquer forma de desenvolvimento privado e individual, pois a maioria dos benefícios são para os que tem poucas condições, e que ao conseguir ascender na vida passam a ser excluídos do sistema de bolsa-alguma coisa. Entre pagar a exorbitante carga tributária destinada aos empresários e trabalhadores de classe média para cima ou continuar recebendo sem trabalhar, mesmo sem progredir na vida, sabemos como pensam a maioria dos brasileiros. Me admira o autor, que não é um ignorante, ser seduzido por uma conversa mole dessas e ainda demonstrar um otimismo quase que ingênuo diante do quadro de um colapso futuro. Afinal de contas quem vai trabalhar para sustentar tanta gente improdutiva? Bem, há quem acredite no próprio Satanás…

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