Bruce Levine: O Grito de Revolta

http://www.prisonplanet.com/bruce-levine-the-rebel-yell.html

Pacificar a população classificando o anti-autoritarismo como uma doença mental

Paul Joseph Watson
Prison Planet.tv
Terça-feira, 14 de Dezembro de 2010

O psicólogo clínico Bruce Levine é o autor de Common Sense Rebellion e Surviving America’s Depression Epidemic. Ele regularmente trata de clientes “anti-autoritários” que seriam diagnosticados pelas autoridades de saúde como portadores de “transtorno desafiador opositivo”, e os ajuda a lidar com a adaptação aos seus ambientes sociais, profissionais ou escolares  sem se rebelarem de uma forma auto-destrutiva.

Em um contexto psiquiátrico, Levine explica como movimentos políticos bem sucedidos como a Revolução Americana e as mais recentes revoltas populistas são historicamente liderados por pessoas que tenham auto-estima individual, algo muito carente na sociedade de hoje, bem como a confiança coletiva e a confiança no próximo.

“Quando você está vivendo em uma sociedade que destrói a auto-estima das pessoas e quebra seus laços de confiança com o próximo, torna-se muito difícil existir qualquer tipo de movimento democrático revolucionário”, observa Levine.

Levine identifica o método de “desamparo instruído” como um dos principais fatores que tem levado a sociedade a sentir-se quebrada, desmoralizada, desesperançosa e derrotada. Ele cita um experimento envolvendo cães, onde dois grupos de animais foram submetidos a choques elétricos, no qual um grupo de cães foi capaz de parar os choques elétricos e o outro não. Os cães incapazes de parar os choques caíram em passividade e depressão, e mesmo quando presentados com a chance de escapar nem sequer tentavam porque tinham sido ” instruídos ao desamparo “. Levine compara isso às eleições nacionais, onde as pessoas votando em democratas ou republicanos, no fim as conseqüências são as mesmas, ou mesmo não votando, no fim as conseqüências continuam as mesmas. “Isto é o desamparo instruído”, explica Levine, “Não importa o que você faça, você vai sentir o mesmo grau de dor.”

Levine compara a apatia e a falta de manifestações contra a polêmica fraude eleitoral de 2000 nos EUA a exemplos semelhantes no México e no Irã, onde milhões de pessoas protestam, mesmo que fazendo isso elas estejam arriscando suas vidas. Ele identifica o endividamento como um contribuidor fundamental para a apatia do povo e razão pela qual as populações estão arruinadas. Ao contrário das gerações anteriores, cada jovem que abandona o ensino hoje em dia, é sobrecarregado com uma média de 20 mil dólares em dívidas, e então ficam aterrorizados de perder o emprego ou terem seus benefícios cortados, portanto, são muito menos propensos a sair e protestar contra o sistema que os mantém na escravidão.

Três outros principais fatores que arruinaram uma geração inteira de jovens são: a influência da televisão, o sistema educacional e os profissionais de saúde mental. Devido as crianças passarem todo o seu tempo livre assistindo TV e jogando vídeo game elas estão perdendo interesse pela leitura, assinala Levine, o coquetel perfeito para um regime autoritário, que precisa de vítimas burras e desamparadas, as quais vão permitir qualquer tipo de desengajamento político e intelectual. Por sua vez, ao obrigar as crianças lerem livros que não as interessam, as escolas desencorajam os pequenos de virem a ser leitores individuais e restringem suas capacidades de reflexão crítica.

A escola é uma pacificadora autoritária, afirma Levine, embora a televisão também ensine aos jovens que a única maneira de se divertir é através de alguma autoridade. Entretanto, as crianças que se rebelam tornam-se vítimas da indústria de saúde mental, uma polícia particular, onde as armas de pacificação são terapias e drogas. Qualquer forma de comportamento individualista é cada vez mais caracterizado como anormal, avisa Levine, como parte do processo de impedir uma rebelião geral contra o status quo, assim como a lista de transtornos mentais listados pela Associação Americana de Psiquiatria cresce e cresce com cada nova tiragem do Manual DSM, que é a bíblia da indústria de saúde mental.

Levine explica que antes de 1980, não existia nenhum “transtorno desafiador opositivo” listado no Manual DSM, e como problemas psiquiátricos enumerados no manual são em sua maioria incluídos por razões políticas e culturais, não por preocupações autênticas com a saúde. Como temos documentado, o método de identificação dos que contestam as autoridades como doentes mentais é originado em alguns dos mais brutais regimes autoritários na história. Os críticos do estado eram estigmatizados como doentes mentais e enviados para psikhushkas – hospitais psiquiátricos – na antiga União Soviética.

Falando sobre o tema da mais frequente enfermidade mental – a depressão – Levine repara como a situação era muito rara, nos recentes 25 anos passados, mas desde que a indústria cresceu bombardeando as pessoas com medicamentos, o diagnóstico da depressão tornou-se uma atividade muito lucrativa, com o comportamento humano normal sendo tratado como uma forma de depressão. Entretanto, possivelmente a principal razão para as elevadíssimas taxas de depressão seja a mudança cultural em direção ao isolamento social, falta de amparo e falta de comunhão, com cerca de 25 por cento dos americanos hoje vivendo sozinhos e 25 por cento afirmando também que não possuem hoje nenhum amigo íntimo em suas vidas no qual possam confiar e serem compreendidos, um número bem acima dos quase 10 por cento em 1980.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: