A Implantação do Estado Policial no Rio de Janeiro XII

Quais as verdadeiras razões da Ocupação das Favelas ?

Parte 11 – Fase 1 Completa: Zona de Segurança

Rorschachbr
PlanetaPrisão
Terça-Feira, 3 de Janeiro de 2012

Zona Sul 100% Ocupada

Com a ocupação policial da Rocinha encerra-se a primeira fase do cronograma. Foi criada uma Zona de Segurança em uma parte da cidade do Rio de Janeiro. Embora exista resistência em algumas favelas, inclusive ocorrendo confronto entre policiais e bandidos, é verdade que o governo recuperou o domínio territorial dos morros localizados na Zona Sul, Central e uma parte da Zona Norte. Qualquer forma de atitude contra o sistema pode ser facilmente reprimida. Um grande contingente militar para inibir ações criminosas ousadas ou até mesmo simples protestos de cidadãos indignados somados aos sistemas de câmeras de vigilância públicas e particulares, em contínua expansão, configuram um enorme poder nas mãos das autoridades, que podem fiscalizar e controlar os mínimos detalhes da vida do cidadão nas áreas ocupadas. Durante a implementação da Fase 1 ocorreu um êxodo de criminosos para outros bairros, cidades e até para outros estados. Foi visível o aumento da violência e da criminalidade em todo o Brasil, mas principalmente no Rio de Janeiro. Com a cumplicidade da mídia, especialmente do sistema Globo, os fatos ruins são minimizados cedendo lugar a vários mitos acerca das UPPs. Talvez o maior deles seja a crença irracional de que todo o Rio de Janeiro será “ pacificado ”. É impossível porque não há efetivo policial suficiente.

Complexo do Alemão: Zona de Exceção

O maior exemplo é o Complexo do Alemão que foi tomado e está sob controle das Forças Armadas, caracterizando uma intervenção federal no Rio mas que a imprensa suavemente chama de “ parceria ”. Por não fazer parte da Zona de Segurança a única preocupação do governo é que não ocorram confrontos. O prazo de permanência das Forças Armadas vem sendo prolongado para evitar o pior, porém quanto maior a permanência, maior será o desgaste das Forças perante a população e a opinião pública. Durante anos os moradores dessas áreas acostumaram-se com com a ilegalidade e a ausência do poder público. Não será feita uma pesquisa de satisfação do morador mas certamente há muitos saudosistas do domínio do poder paralelo. Os parentes dos criminosos são os primeiros, por motivos óbvios, mas grande parte do comércio, em especial os bares, sofrem com a súbita queda no movimento. O dinheiro trazido por aquele enorme fluxo de pessoas que circulavam pelas favelas do Complexo em busca de diversão deixou de circular. Ao contrário da maioria das favelas ocupadas pela polícia, no Complexo do Alemão não há nada interessante para as pessoas de fora com a chegada da lei e da ordem. A tendência é a desvalorização e o empobrecimento daquela região. Você assistirá na TV as obras de maquiagem e os projetos sociais do governo na parte externa com a participação de artistas enquanto os moradores continuarão incertos quanto ao futuro. Se por um lado existe o medo da volta do crime fortemente armado e seus viciados zumbis nas ruas, a “ pacificação ” trouxe uma série de restrições e imposições para quem vivia fora do sistema. A regularização dos serviços públicos e privados é um impacto na renda do morador da favela que juntamente com a imposição de horários e limites ao volume de som é uma mudança muito radical na rotina para muitos, sobretudo os jovens habituados aos bailes funk sem regras. É lógico que muita gente ficará feliz com um pouco de tranquilidade, mas com o aumento dos conflitos entre militares e moradores insatisfeitos virá o despertar para a dura realidade: estão vivendo em uma zona militar.

Tecnologias Big Brother

Com o controle territorial assegurado é hora de implementar mecanismos mais avançados de controle. Observe as medidas tomadas pelos governos nas áreas ocupadas. Detector de tiros instalados nas ruas, corredores exclusivos de ônibus, fechamento de ruas, utilização de armamento “ não-letal ”, medidores de energia “ inteligentes ”, cartões de passagem, internet sem fio grátis. Tudo isso aparentemente é para facilitar a vida do cidadão mas está sendo imposto em uma parte da cidade enquanto que as regiões fora da zona de segurança convivem com o abandono do poder público, ficando no meio do fogo cruzado entre as facções, polícias e grupos paramilitares. O reordenamento urbano, uma obsessão dos últimos prefeitos, faz parte do plano para diminuir o fluxo de pessoas e carros nas ruas. A pergunta que faço a todos é a seguinte: Até onde irá a Zona de Segurança?

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