A Revolta dos Playboys

Rorschachbr
PlanetaPrisão
Segunda-feira, 1 º de Julho de 2013

Sexta-Feira, início do Carnaval. Subo no ônibus na Barra em direção ao Centro via orla. Ao passar pela roleta noto os passageiros diferentes do habitual. Uma rapaziada jovem e forte. Nenhum negro. Bebendo e fumando cigarro. Aquela batucada típica dos bons tempos de Maracanã. Apesar do comportamento não houve desrespeito direto aos passageiros. A batucada foi virando destruição do ônibus. O linguajar era típico de integrantes de facções cariocas mas dentro do contexto deles. Estavam indo preparados para um confronto com rivais. O líder do grupo estava portando um soco inglês e incentivou os demais a não correr do pau. Quebraram o coletivo com muita vontade. Não devem usar essa linha. E assim seguimos viagem sem que o motorista tomasse qualquer atitude até a descida do grupo em Ipanema. Até uma janela foi arrancada. O sentimento era unânime entre os passageiros, uma mistura de revolta e perplexidade. Não aparentavam ser jovens de baixa renda, como dizem nos noticiários, logo esse tipo de atitude infantil incomoda muito os simples passageiros cotidianos, já revoltados com o péssimo serviço. Como eram muitos ninguém falou nada. E a vida seguiu.

Nunca pensei que a revolta dos playboys seria um fenômeno em grande escala que iria explodir no Brasil inteiro. Essa grande massa que está indo as ruas em sua maioria é composta por eles. Nas grandes metrópoles é grande o número de parasitas da sociedade. Pessoas que não trabalham nem informalmente e vivem as custas de outras pessoas e/ou do governo. Não estou falando dos pensionistas e das donas de casa, mas provavelmente de seus dependentes. Estou falando de um fenômeno que impacta diretamente na economia de todo o país. Seja o estudante de uma vida inteira que nunca vai se formar ou aquele favelado que vive entre os mundos do tráfico e do carnaval. Estou falando dos jovens que nunca assumem nenhuma responsabilidade em suas vidas vivendo sob a sombra dos pais.

Que moral tem essa juventude exaltada pela mídia manipulada para protestar por qualquer coisa ? Como alguém pode protelar um negócio chamado passe livre ? Provavelmente pessoas que não tem noção do que é ganhar dinheiro. Pessoas que acreditam que uma entidade chamada governo deve prover tudo em suas vidas, assim como seus pais fazem. Diante da realidade que se impõe na forma da crescente crise econômica do Brasil os playboys revoltados foram para a rua fazer pirraça quebrando tudo. Estão de fato apavorados. Muitos já ficaram sem suas empregadas domésticas. Um duro golpe.

Embora muitas pessoas trabalhadoras tenham juntado-se aos protestos conferindo uma certa legitimidade, até por causa dos gastos superfaturados com os eventos, quem foi chamado para conversar foram os estudantes.

Falem sério, vocês acham que as pessoas que moram longe do Centro do Rio ficariam protestando até tarde ? Os usuários dos ramais Japeri e Santa Cruz devem ficar preocupados com a hora em que vão chegar em casa. Se nos dias normais já é complicado, imagina nos dias de baderna.

Vou deixar bem claro o que penso a respeito dessa onda de protestos com relação ao Rio de Janeiro. Assim como os playboys que quebraram o ônibus existem em todas as classes sociais pessoas que aproveitam-se de situações para praticar ações que prejudicam outras pessoas sem nenhuma relação com a luta pelo bem coletivo. Pensam apenas em si próprias. Os saques nas lojas e os arrastões na Avenida Brasil são a prova disso. E a mão da justiça continua agindo da mesma forma. Os playboys meteram a porrada na PM mas não ficaram na cadeia e os favelados que não deram tiro no Bope foram para o cemitério. E ainda ficam gastando milhões em propaganda para dizer que o Rio de Janeiro está mudando. E o pior é que sou obrigado a concordar. Zumbis do crack, engarrafamentos diários, imóveis supervalorizados, alto custo de vida. Até o Maracanã não é mais para o povão.

Estou começando a me sentir como se morasse em São Paulo…

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